- setembro 29, 2026
Professor Marcelo Miranda revolucionou os Jogos Escolares de MS depois de sentir na pele a realidade dos atletas e técnicos
Ex-técnico de handebol, Marcelo conheceu de perto as dificuldades dos Jogos e, ao assumir a Fundesporte em 2015, liderou uma transformação que levou a competição a mais de 8 mil estudantes e 70 municípios
Antes de comandar a Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte), Professor Marcelo Miranda conhecia os Jogos Escolares de Mato Grosso do Sul por outro lado da quadra. Como técnico de handebol, sentiu na pele as dificuldades enfrentadas por atletas e professores em competições marcadas por alojamentos improvisados, alimentação precária, problemas de estrutura e pouca organização. Era comum dormir em salas de aula de escolas, enfrentar banheiros inadequados, falta de água quente e condições que estavam muito distantes daquilo que um jovem atleta deveria encontrar em uma competição esportiva.
Marcelo, hoje candidato a deputado estadual, também conhecia o outro lado desse problema. Os professores acompanhavam seus alunos durante as próprias férias, muitas vezes sem a estrutura necessária para trabalhar. Os municípios tinham pouco interesse em receber os Jogos e a participação era limitada. Era uma realidade que o Professor Marcelo Miranda criticava havia anos. Até que, em 2015, recebeu do então governador Reinaldo Azambuja o convite para assumir a Fundesporte e teve, pela primeira vez, a responsabilidade de transformar aquela realidade.
O desafio ganhou um significado ainda maior porque o primeiro grande evento esportivo que Marcelo encontrou pela frente foi justamente os Jogos Escolares. O professor que havia vivido os problemas como técnico agora estava diante da oportunidade de resolvê-los como gestor. A reformulação começou por aquilo que, para ele, era inegociável: dignidade para os estudantes, respeito aos professores e tranquilidade para as famílias.
Os alojamentos em escolas deram lugar a hotéis. A alimentação passou a contar com orientação nutricional e sistema de buffet. Foi criado o Centro de Convivência dos Jogos, com atividades de lazer, cultura, integração, shows e sorteio de brindes. E o formato das competições também mudou, permitindo que as equipes permanecessem jogando durante todo o evento, independentemente da posição na tabela. A ideia era fazer com que o estudante não voltasse para casa depois de uma eliminação precoce, mas tivesse a oportunidade de viver a experiência esportiva até o fim.
O resultado dessa mudança aparece em números que ajudam a dimensionar o tamanho da transformação. Os Jogos passaram de aproximadamente 2 mil atletas em 2015 para mais de 8 mil atualmente, um crescimento superior a 300%. A participação municipal também saltou de cerca de 20 municípios para 70. O que antes afastava cidades da competição passou a movimentar a rede hoteleira e a economia dos municípios que recebem as delegações.
“Eu conhecia aquela realidade porque vivi aquilo como técnico. Eu sabia o que um professor passava, sabia o que os atletas passavam e sabia também a preocupação dos pais quando mandavam seus filhos para uma competição. Quando assumi a Fundesporte, eu tinha uma responsabilidade muito grande, que era mudar aquilo que eu mesmo havia criticado durante tantos anos. E eu sabia que não bastava fazer um jogo melhor. Era preciso mudar a experiência inteira do atleta, do professor e da família”, afirma Marcelo.
A transformação também mudou a relação dos municípios com os Jogos. Com mais participantes, melhor estrutura e uma competição mais organizada, sediar uma etapa passou a representar movimento para hotéis, restaurantes, comércio e serviços locais. O esporte escolar deixou de ser apenas uma competição realizada durante as férias e passou a funcionar também como uma ferramenta de integração entre municípios e de movimentação econômica.
Para Marcelo, porém, o principal resultado não está apenas nos números, mas sim na experiência de quem participa. O menino que antes poderia dormir em um alojamento improvisado passou a chegar a um hotel. O professor que sacrificava as férias de sua família passou a encontrar uma estrutura adequada de trabalho. E os pais passaram a enviar seus filhos sabendo que eles estavam sendo cuidados. Foi uma mudança de padrão construída a partir de alguém que conhecia aquela realidade por dentro e que, ao assumir a gestão, decidiu que os Jogos Escolares de Mato Grosso do Sul não poderiam mais ser os mesmos.
Sobre o candidato
Professor Marcelo Miranda é candidato a deputado estadual em Mato Grosso do Sul. É graduado em Educação Física pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), especialista em Treinamento Desportivo pela PUC Minas e mestre pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi diretor-presidente da Fundesporte entre 2015 e 2022 e secretário de Estado de Turismo, Esporte e Cultura entre 2023 e abril de 2026.







