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  • julho 6, 2026

Com centenas de quilômetros de terraços implantados e o protagonismo de mulheres extrativistas, o Instituto Taquari Vivo apresenta resultados práticos de conservação e geração de renda

Com centenas de quilômetros de terraços implantados e o protagonismo de mulheres extrativistas, o Instituto Taquari Vivo apresenta resultados práticos de conservação e geração de renda
Com foco em soluções práticas para a crise climática da Bacia do Taquari, o Instituto Taquari Vivo (ITV) apresenta dados expressivos de conservação de solo e inclusão social na edição do Pantanal Tech MS. O evento, que teve abertura nesta sexta-feira (3), é palco para demonstrar como a restauração ecológica e a produção rural caminham juntas no Pantanal. O Instituto conta com um estande estruturado para apresentar ao público, produtores rurais, pesquisadores e estudantes, suas ações focadas na recuperação ambiental, fomento produtivo da Bacia do Taquari e promoção do desenvolvimento sustentável do bioma.

O espaço funcionará como uma vitrine tecnológica e institucional para detalhar os resultados de duas grandes iniciativas de campo: o programa PROSOLO e a Rede de Sementes Flor do Cerrado. As equipes técnicas do Instituto estarão disponíveis para detalhar as metodologias de engenharia e os indicadores de impacto social dos projetos executados na região.

Pensado também para aproximar as futuras gerações, o estande trará uma programação voltada especialmente aos estudantes, com jogos de educação ambiental que incluem o abecedário de fauna e flora e o jogo da memória de plantas e sementes. Para complementar a experiência pedagógica, o local contará com uma estrutura dedicada exclusivamente à apresentação das sementes nativas da Rede de Sementes Flor do Cerrado, permitindo que o público conheça de perto a biodiversidade e a matéria-prima utilizada na restauração do bioma.

Segundo o diretor-executivo, Renato Roscoe, o evento representa um espaço democrático fundamental para alinhar os interesses econômicos e ambientais do setor produtivo. “Entendemos que o Pantanal Tech é uma grande oportunidade de juntar diferentes formas de pensamento e diferentes grupos de interesse no Pantanal. E para tratarmos de forma clara, os temas ligados ao desenvolvimento do bioma, precisamos de todos os atores presentes na discussão, estimulando a troca e a difusão de conhecimento”, comenta Roscoe.

Prosolo

Quem vive ou produz na Bacia do Taquari conhece o drama do assoreamento dos rios e da perda de solo fértil por processos erosivos. Para enfrentar esse gargalo produtivo, o ITV apresenta os resultados do PROSOLO, um programa focado na aplicação de técnicas de conservação de solo e na readequação de estradas vicinais.

Aprovada em 2024 no âmbito de uma política estadual gerida pela Semadesc, as ações integradas de conservação de solo e infraestrutura rural nos municípios de Coxim, Bonito, Figueirão e Alcinópolis já apresentam resultados expressivos para o setor produtivo e ambiental do estado. Ao todo, as frentes de trabalho executadas entre 2022 e 2025 somam 721,8 quilômetros de terraços implantados, garantindo a proteção direta de 3.118 hectares de terras cultiváveis. Paralelamente, o programa promoveu a readequação e recuperação de 67,4 quilômetros de estradas rurais e vicinais, otimizando o escoamento logístico regional e mitigando os impactos da erosão.

A construção dessas barreiras físicas impede que a água das chuvas carregue a camada fértil da terra, garantindo a sustentabilidade das pastagens e lavouras na parte alta da bacia, o que reduz o volume de sedimentos que descem para a planície pantaneira.

Mulheres lideram a colheita de sementes

Na outra ponta da sustentabilidade, o ITV mostra que a floresta em pé e a restauração ecológica geram dividendos reais para as comunidades tradicionais. Criada em 2022, a Rede de Sementes Flor do Cerrado articula a cadeia produtiva de sementes nativas em Mato Grosso do Sul por meio de uma parceria entre o Instituto, o WWF-Brasil e a Associação de Restauração Ecológica e Inclusão Social (ARCP).

O projeto se destaca pelo forte impacto social: conta com cerca de 86 coletores, sendo a sua grande maioria composta por mulheres residentes em comunidades quilombolas e assentamentos rurais. Atuando nos municípios de Figueirão, Sidrolândia, Nioaque e Corguinho, o grupo transforma o extrativismo sustentável em inclusão social e fonte de renda.

Ao mesmo tempo, as sementes coletadas por essas mulheres abastecem os esforços de restauração ecológica nos corredores de biodiversidade Figueirão-Rio Negro-Jaraguari e Miranda-Bodoquena, devolvendo a cobertura vegetal original a áreas críticas.

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