- julho 21, 2026
Tecnologia robótica permite que paciente com Parkinson tenha alta em menos de 24 horas após cirurgia complexa no rim
O retorno rápido ao convívio familiar foi o principal ganho de um procedimento cirúrgico de alta complexidade realizado no último sábado (18), no Hospital Cassems de Campo Grande. Um paciente de 56 anos, um professor aposentado na capital e que convive com a doença de Parkinson, passou por uma nefrectomia parcial para a retirada de um tumor renal de 6,2 cm e, com ajuda da precisão da tecnologia utilizada, pôde receber alta hospitalar em menos de 24 horas após deixar o centro cirúrgico.
Para a equipe médica, o maior benefício desse avanço não está no ineditismo da ferramenta, mas no impacto direto na qualidade de vida de quem opera. O urologista e especialista em cirurgia robótica, Bruno Almeida, que liderou o suporte presencial no hospital, que a tecnologia foi fundamental para o caso, já que a precisão do robô oferece vantagens cruciais em relação à cirurgia aberta tradicional.
“A robótica vem para isso, você entrega o paciente mais rápido para o seu contexto social. Nesse caso, o índice de preservação renal é maior, o paciente tem uma recuperação mais rápida no pós-cirúrgico e, além disso, você alcança um tratamento oncológico ideal, isentando ou minimizando as complicações”, destaca Almeida.
O impacto é tão significativo que o pós-operatório se assemelha ao de um procedimento simples. “Ele agora segue a rotina de recuperação como se fosse uma cirurgia habitual de pequeno porte, inclusive. Em 15 dias já está liberado para dirigir, e em 30 dias para exercer suas funções normais em questão de atividade física”, finaliza o médico.
Diferencial
O procedimento foi viabilizado por meio da telecirurgia robótica, uma tecnologia que permitiu que o paciente fosse operado em Campo Grande (MS) pelo médico urologista e cirurgião robótico Nilo Jorge Leão, localizado em Salvador (BA), a mais de 2,3 mil quilômetros de distância, utilizando uma conexão via satélite Starlink.
Embora o caso marque a primeira nefrectomia parcial por telecirurgia do Brasil, Leão, que acumula uma experiência de mais de 2.100 cirurgias robóticas presenciais, ressalta que o verdadeiro valor da tecnologia está em alcançar vidas que antes ficariam sem assistência adequada.
“Por se tratar de um procedimento extremamente delicado e de alta responsabilidade tínhamos grande expectativas, mas acredito fortemente que a telecirurgia, se usada da forma adequada, pode ajudar a oferecer tratamento cirúrgico de alto nível a pessoas que, de outra forma, nunca conseguiriam ter acesso devido à distância geográfica”, avalia o cirurgião.
A realização desta telecirurgia robótica inédita é resultado de uma parceria entre a Cassems, Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento (IART), Hospcom e a MicroPort.


