- junho 27, 2026
Inverno de 0ºC em MS exige cuidados redobrados com crianças e idosos; saiba como se proteger
Com a chegada do inverno, aumentam as preocupações com os impactos das baixas temperaturas sobre a população mais vulnerável. Neste ano, a estação começou com uma onda de frio e sensação térmica de 4,4°C na Capital. Este é o período de maior risco para as doenças respiratórias. Embora o frio seja esperado nesta época do ano, ele reforça a necessidade de cuidados preventivos, especialmente com pessoas em situação de rua, crianças e idosos, grupos mais suscetíveis a doenças respiratórias e às mudanças bruscas de temperatura.
A principal preocupação em períodos de frio intenso é a hipotermia. Segundo o Ministério da Saúde, a condição ocorre quando a temperatura corporal fica abaixo de 35°C e pode ser fatal em casos de exposição prolongada ao frio, ao vento e à umidade. Entre os sintomas, estão tremores intensos, palidez, confusão mental e extremidades frias.
Último frio intenso gerou quatro mortes por hipotermia
O alerta ganhou força após a última onda de frio registrada em Mato Grosso do Sul. No início de maio, Campo Grande enfrentou dois dias consecutivos com sensação térmica negativa. Em uma das manhãs mais frias do ano, os termômetros marcaram 7,9°C, mas a sensação térmica chegou a -3,2°C devido à combinação de vento, umidade e temperatura do ar.
Durante esse período, quatro pessoas morreram com suspeita de hipotermia no Estado, sendo três em Campo Grande e uma em Dourados. Na Capital, as vítimas foram encontradas na calçada de um bar, ao lado de uma unidade de saúde e em uma casa abandonada. Em Dourados, um homem foi localizado morto às margens da BR-163.
Aumento de síndromes respiratórias
Além dos riscos provocados pelo frio extremo, o inverno contribui para o aumento dos casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Somente neste ano, Campo Grande registrou 1.365 notificações da doença. Desse total, 928 ocorreram em crianças menores de 10 anos.
Os dados da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) apontam que os bebês com menos de 1 ano são os mais afetados, com 420 registros. Em seguida, aparecem as crianças de 1 a 4 anos, com 348 casos, e aquelas entre 5 e 9 anos, com 160 notificações. Do total de ocorrências, 819 tiveram confirmação para SRAG.
A gravidade do cenário também se reflete nos óbitos. Das 102 mortes por SRAG registradas na Capital em 2026, 14 ocorreram entre crianças e adolescentes. Foram quatro mortes em menores de 1 ano, cinco entre crianças de 1 a 4 anos, cinco na faixa de 5 a 9 anos e três entre jovens de 10 a 19 anos.
Idosos lideram mortes
Embora as crianças concentrem a maior parte dos casos, os idosos seguem como os principais óbitos pela doença. Das 102 mortes registradas, 73 ocorreram entre pessoas com 60 anos ou mais. Foram 22 mortes entre idosos com mais de 80 anos, 18 na faixa de 70 a 79 anos e 21 entre aqueles de 60 a 69 anos.
Os números reforçam que os extremos de idade são os grupos mais vulneráveis às complicações respiratórias. Entre os idosos, foram registrados 215 casos de SRAG neste ano, distribuídos entre as faixas de 60 a 69 anos (73 casos), 70 a 79 anos (71 casos) e, por fim, acima de 80 anos (71 casos).
Como se proteger
Para evitar problemas de saúde, a Defesa Civil recomenda medidas simples que reduzem os riscos durante os dias mais frios. Entre elas estão:
- Hidratação: beba bastante água, mesmo sem sentir sede.
- Evite álcool, que favorece a perda de calor corporal.
- Agasalhos em camadas: use roupas adequadas, como casacos, gorros, luvas e meias de lã.
- Cuidados com aquecedores: utilize aparelhos em bom estado e garanta ventilação para evitar intoxicação por monóxido de carbono.
- Atividade física leve: mantenha o corpo ativo, mesmo dentro de casa.
- Evite sair sem necessidade: limite a exposição ao frio, sobretudo para a população mais frágil.
- Proteja a pele: use hidratantes para evitar o ressecamento e as rachaduras.
Como evitar doenças respiratórias
O período também favorece a circulação de vírus respiratórios e agrava doenças como gripe, bronquite e asma. Assim, a orientação é:
- Lavar as mãos com frequência;
- Evitar locais fechados e malventilados;
- Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar;
- Manter alimentação saudável e praticar exercícios;
- Evitar o fumo.
Em caso de sintomas como febre alta, tosse com secreção, falta de ar ou dor no peito, é essencial procurar atendimento médico imediatamente.
Como ajudar pessoas em situação de rua
Para proteger quem vive nas ruas durante os períodos de frio, o Seas (Serviço Especializado em Abordagem Social) intensifica as ações de acolhimento em Campo Grande. Equipes compostas por psicólogos e educadores sociais atuam 24 horas por dia realizando buscas ativas e oferecendo abrigo, alimentação, higiene e acompanhamento psicossocial.
Segundo a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social), as unidades de acolhimento disponibilizam quatro refeições diárias e estrutura adequada, inclusive para famílias.
Quando a pessoa aceita o acolhimento, ela é encaminhada para os serviços disponíveis. Caso recuse, o que é um direito garantido por lei, as equipes distribuem cobertores e realizam novas tentativas de abordagem posteriormente.
Durante operações especiais de inverno, o Parque Ayrton Senna pode ser ativado para receber pessoas em situação de rua. O espaço oferece local coberto para pernoite, colchões, cobertores, jantar, água e atendimento de equipes de saúde. O acolhimento também contempla animais de estimação, com distribuição de ração e cobertas para que os tutores permaneçam acompanhados de seus pets.
Após o pernoite, os usuários são encaminhados para a Uaifa I (Unidade de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias), onde recebem café da manhã e podem permanecer durante o dia. Já o Centro POP funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, oferecendo banho, lavanderia, alimentação, guarda de pertences, apoio para emissão de documentos e atendimento psicossocial.
A população pode acionar as equipes do Seas pelos telefones (67) 99660-6539 e (67) 99660-1469. Também é possível solicitar atendimento pelo número 156.


