- fevereiro 6, 2026
Conservação do solo é chave para a segurança hídrica na Bacia do Taquari
A conservação do solo é um dos pilares silenciosos da sustentabilidade ambiental e da segurança hídrica. Em regiões de solos frágeis, como a Bacia do Alto Taquari e áreas adjacentes, como das sub-bacias dos rios Coxim e Jauru, o manejo inadequado do solo se traduz rapidamente em erosão, assoreamento dos cursos d’água e perda de produtividade, com impactos que extrapolam as propriedades rurais e afetam todo o território.
De acordo com o diretor do Instituto Taquari Vivo (ITV), Renato Roscoe, doutor em Ciência do Solo, a relação entre solo e água é direta e indissociável. “Quando o solo perde sua estrutura, ele perde também a capacidade de infiltrar e armazenar água. Em bacias com solos naturalmente frágeis, qualquer manejo inadequado acelera os processos erosivos, impactando nascentes, rios e reservatórios a jusante, além de comprometer a produtividade agropecuária local”, explica.
Na Bacia do Taquari, os efeitos da degradação do solo são amplamente conhecidos. O avanço dos processos erosivos contribui para o assoreamento dos rios, altera o regime hidrológico e compromete a qualidade da água que chega ao Pantanal. Para Roscoe, enfrentar esse cenário exige ir além do discurso e investir em ações práticas e contínuas no território. “Não existe conservação da água sem conservação do solo. Isso passa por planejamento, técnica e, principalmente, por trabalhar com quem está no campo”, reforça.
É nesse contexto que, ao longo de 2025 e 2026, vêm sendo realizados workshops, dias de campo e ações demonstrativas na Bacia do Taquari, no âmbito do Projeto PROSOLO Alto Taquari. A iniciativa é coordenada pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc, em parceria com o Senar/MS, a Agraer e as prefeituras de Figueirão e Alcinópolis. As ações contam com apoio técnico do Instituto Taquari Vivo e são direcionadas a produtores rurais, técnicos, gestores públicos e parceiros institucionais.
As atividades abordam práticas como readequação de estradas vicinais, conservação de áreas de recarga hídrica, controle de processos erosivos, manejo adequado do solo e integração entre produção e conservação, sempre considerando as limitações e características dos solos frágeis da região. “Os dias de campo são fundamentais porque permitem que o produtor veja, na prática, como intervenções bem executadas reduzem a perda de solo, melhoram a infiltração da água e aumentam a resiliência da propriedade. Em solos frágeis, a prevenção é sempre mais eficiente e mais econômica do que a recuperação”, destaca Roscoe.
Além dos benefícios diretos nas propriedades rurais, as ações geram impactos positivos em escala territorial. A redução da erosão e do carreamento de sedimentos contribui para a proteção das nascentes, a manutenção da qualidade da água e o fortalecimento da segurança hídrica de toda a bacia, reforçando a conexão entre o Cerrado de planalto e o Pantanal de planície.
Para o Instituto Taquari Vivo, investir em capacitação, demonstração prática e diálogo permanente com o produtor rural é um caminho estratégico para promover mudanças culturais duradouras. “Conservar o solo não é apenas uma exigência ambiental, é uma estratégia de permanência no território. Em bacias como a do Taquari, cuidar do solo hoje é garantir água e qualidade de produção para o amanhã”, conclui o diretor.



