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O Estado do Pantanal - 28/04/2010 - 10h29

Grupo define protocolo de ações para casos de onças na área urbana de Corumbá e Ladário




Ana Maio

Reunião começou a discutir protocolo para atuar em caso de ocorrência de onças na cidade
Por Redação Pantanal News/Ana Maio(Embrapa Pantanal)

Pesquisadores, autoridades militares e civis e representantes de instituições ligadas a animais carnívoros estão definindo uma forma conjunta de atuar quando for registrada a presença de onças ou animais peçonhentos em área urbana. O protocolo prevê ações para casos em que a localização do animal envolver ou não risco para a população.

Essa discussão acontece em Corumbá (MS), onde no ano passado uma onça parda foi localizada por moradores perto do aeroporto da cidade. A captura do animal foi lenta e tumultuada, principalmente porque a população estava muito próxima ao animal.

A soltura foi realizada em uma região remota, distante mais de 60 km da cidade. Antes deste evento, onças pintadas também já haviam se aproximado da área urbana, fugindo de inundações e de queimadas, impondo riscos à população. Num destes eventos, dois animais acabaram morrendo, e um foi liberado também em área remota do Pantanal.

Nesta segunda-feira, dia 26 de abril, os especialistas se reuniram no Centro de Convenções de Corumbá e apresentaram informações importantes para orientar os trabalhos e as discussões envolvendo, principalmente, onças. A reunião foi promovida pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente e Prefeitura de Corumbá. Nos próximos dias haverá novas reuniões do grupo para detalhar os planos de ação, construindo cenários e definindo o papel de cada instituição.

Áreas de risco

Uma das informações repassadas foi a delimitação de áreas de risco dentro da área urbana relacionadas com onças pintadas e pardas. O pesquisador Walfrido Tomás, da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, apresentou mapas indicando onde é mais comum o aparecimento de onças pardas e de onças pintadas. Ele também apresentou situações que podem estar relacionadas com a movimentação destes animais para dentro da área urbana.

Segundo ele, as pintadas aparecem com mais frequência às margens do rio Paraguai, entre o bairro Beira Rio e o final do hotel Gold Fish. Ali há uma vegetação densa e não existem residências porque são áreas inundáveis. Além disso, existem cavernas e locas que servem de abrigo para as onças.

No caminho para o município de Ladário (MS), na estrada conhecida como Codrasa, há outra área de risco. Como a margem direita do rio Paraguai é de terreno mais alto, as onças tendem a atravessar o rio em busca de terrenos mais secos na época de cheias, ou de lugar seguro em caso de incêndios no Pantanal, próximo ao rio e à cidade.

“Já a onça parda costuma aparecer entre a cidade e a morraria, do lado oposto ao rio, onde ocorre mata mais seca.”, explicou Walfrido. Ele afirma que a onça parda que entrou na área urbana em maio de 2009 era um macho jovem, provavelmente dispersando do território onde nasceu. Por azar seguiu a vegetação do morros até a área urbana, nas proximidades do aeroporto.

“Eventos como este podem voltar a acontecer, tanto por causas naturais e comportamentos normais nas espécies, como em função de ameaças causadas por seres humanos, como os incêndios”, disse. Mas o pesquisador lembra que comportamento das duas espécies de onça é diferente em situações de estresse, sendo que a onça pintada oferece risco maior do que a onça parda.

Walfrido disse ainda que a população precisa ser orientada sobre o que fazer e o que não fazer em casos como estes, já que a reação da população pode ser um complicador maior e potencializar os riscos.

O promotor Ricardo Melo disse que sua preocupação é com a segurança da população. “A vida humana é prioridade. Em 2007 houve um caso perto do Forte Junqueira e no ano passado, perto do aeroporto. Nos dois casos, as autoridades não agiram de forma brilhante. Por isso há necessidade de traçar critérios objetivos de atuação para garantir a segurança dos moradores”, afirmou.

O comandante da Polícia Ambiental de Corumbá, major Waldir Ribeiro Acosta, falou das dificuldades que a companhia enfrentou no último caso, especialmente a falta de equipamentos. Segundo ele, o gerenciamento de crises é um tema novo na atividade policial brasileira.

Ricardo Boulhosa, do Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais – Pró-Carnívoro, fez uma apresentação sobre os conflitos envolvendo homens e animais silvestres. Ele disse que a imprensa tem um papel importante nesses casos, pois tem o poder de mobilização da opinião pública e de difusão de medidas preventivas. Ele representou o Cenap (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros) na reunião.

O pesquisador Guilherme Mourão, também da Embrapa Pantanal, apresentou uma proposta de protocolo de ações para dar início aos trabalhos. O primeiro passo era decidir qual instituição deveria coordenar a situação de conflito. O grupo considerou que essa atribuição seria do Corpo de Bombeiros.

Caberá ao gestor da crise avaliar os riscos à segurança e mobilizar as outras instituições que podem contribuir com a proteção de moradores e o resgate do animal envolvido.

Mas a discussão não foi encerrada. Foi formado um grupo de trabalho envolvendo militares da Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, que deve se reunir com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para discutir e detalhar atribuições e estratégias para gerenciamento de crises envolvendo animais silvestres na área urbana de Corumbá e Ladário.


 

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