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Com expectativa de crescimento em torno de 4,5% até o fim do ano e com cerca de 90% das empresas sob administração familiar, os empresários do setor gráfico no Brasil precisam se atentar para a importância de pensar em sucessão familiar. O assunto foi abordado na palestra do vice-presidente da Abrigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), Mário César Martins de Camargo, no dia 26 de setembro, na sede do Sindigraf/MS (Sindicato das Indústrias Gráficas de Mato Grosso do Sul).
Pelo menos 70 empresários do setor compareceram. “Nas empresas familiares é imprescindível pensar em sucessão, porque quando ela não é bem conduzida representa uma grande ameaça à empresa. Nesse sentido existem duas situações: a dos filhocratas – herda a empresa porque é filho do papai; e do tecnocrata – onde os filhos foram preparados para gerir a empresa”, explicou.
Na avaliação de Mário de Camargo, para a manutenção das empresas familiares é fundamental investimento em formação acadêmica, cursos técnicos na área, noção de economia e conhecimento do ambiente empresarial. “É preciso investir na cabeça do sucessor, do filho. Não há nada mais eficiente para acabar com uma empresa que a briga entre os sócios”, destacou.
O empresário do setor gráfico, Robson Tavares Lima, 31 anos, concorda com o palestrante e destacou que demorou algum tempo para entender que a importância de se dedicar ao trabalho familiar. “Eu não queria seguir os passos do meu pai. Me formei em Ciência da Computação, e não me dedicava muito. Mas há seis anos, assumi de fato a empresa e agora estou muito bem”, contou.
Aumento de demanda
Mário de Camargo destaca que a tendência é de a cada dia aumentar a procura por serviços gráficos. “Quanto mais sofisticada é uma sociedade, mais serviços gráficos são necessários. Quando uma família tem uma renda maior, ela passa a consumir mais produtos, deixa de comprar o arroz e o feijão na venda da esquina e compra no supermercado, passa a usar o leite de caixinha, sem contar no consumo de revistas e outros produtos, e tudo isso significa aumento de volume de trabalho nas empresas do setor”, exemplificou.
Para o presidente da Abigraf/MS, Julião Flaves Gaúna, a sociedade sul-mato-grossense está nesse caminho. “São indústrias se instalando e nós precisamos ter empresas gráficas para atender essas empresas. Precisamos nos preparar para que esses empresários não busquem serviços gráficos em outros Estados”, destacou.
O presidente do Sindigraf/MS, Altair da Graça Cruz, ressaltou que o sindicato já desenvolve um trabalho para desenvolvimento do mapa estratégico do setor gráfico de Mato Grosso do Sul. “Geramos quase 6 mil empregos diretos e indiretos, mas precisamos de mais detalhes sobre o setor para conduzirmos os empresários a buscarem um diferencial e se especializar nisso. O primeiro passo é a palestra dessa noite”, disse, lembrando que o evento foi uma parceria entre o Sindigraf/MS, Abigraf e Sebrae.