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O Estado do Pantanal - 23/09/2008 - 13h40

Tráfico e atropelamento de animais silvestres lotam recintos do Cras




Fabio Pelegrini

Por Fabio Pellegrini, do Notícias MS

           Além dos 400 papagaios recepcionados pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), a equipe do centro continua tratando de outros casos, dentre eles quatro filhotes de tamanduá-bandeira, três gaviões e uma anta. 

 Os tamanduás tornaram-se órfãos após os atropelamentos das respectivas mães em rodovias do Estado, no mês de agosto. Trata-se de duas fêmeas e dois machos, com idade entre um a três meses, vindos de áreas diferentes do Estado: Rio Brilhante, Coxim, Campo Grande e Água Clara. Os animais foram recolhidos por populares e entregues à Polícia Militar Ambiental (PMA), que os encaminhou ao Cras. Os filhotes conseguiram sobreviver agarrados ao dorso das mães.

 

 A anta, animal de grande porte, teve a medula óssea quebrada em um atropelamento em Três Lagoas e passa por exames para que os veterinários do Cras decidam qual o melhor destino para a qualidade de vida do animal: a reintrodução na natureza ou o sacrifício.

 

 A zootecnista Ana Paula Felício, uma das funcionárias do Cras que está zelando pelo bem-estar dos animais, diz que apesar de bem tratados e saudáveis, o destino dos animais dos tamanduás não será o retorno à natureza. “Eles se apegam demais à gente e por isso devem ser encaminhados a zoológicos daqui a um ano, aproximadamente”, explica Ana Paula.

 

 

 Caso reintroduzidos na natureza, os animais se tornarão presas fáceis de predadores como a onça parda e a pintada, entre outros. Depois de longo período de contato com humanos, perderão o instinto de casa e procurarão ambientes como sedes de fazendas, o que não é devidamente apropriado.

 

 Extinção e conscientização

 

 O tamanduá-bandeira possui uma cauda longa e coberta de pêlos, os quais pegam fogo com facilidade. Por isso o animal corre grande risco de ser morto em queimadas controladas ou incêndios florestais.

 

 

 O período de gestação dura cerca de 190 dias. Após o nascimento, o filhote é carregado no dorso da mãe de seis a nove meses, e pode ser deixado em abrigo sob arbustos enquanto a mãe se alimenta. É um animal solitário, com exceção da fêmea com filhote e da época reprodutiva quando ocorre a formação de parceiros.

 

 Alimenta-se de formigas e cupins e move-se lentamente, mas quando necessário pode fugir galopando e até mesmo escalar árvores ou nadar. A única defesa do animal são suas garras dianteiras que são utilizadas freqüentemente na atividade de alimentação, cavucando cupinzeiros e formigueiros.

 

 Não atacam humanos, pelo contrário, fogem de nós. Mesmo assim recomenda-se distância. As garras dos tamanduás são verdadeiras armas, e quando introduzidas em alguém em caso de defesa, ocasionam lesões gravíssimas.

 

 A espécie figura como vulnerável da lista nacional das espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção do Ibama e Ministério do Meio Ambiente. A redução das populações desta espécie está relacionada à destruição de seu habitat natural pelas atividades agropecuárias, desmatamento, caça, incêndios florestais e aos atropelamentos.

 Importância dos animais

 

 Têm uma função muito importante na cadeia alimentar, sendo essenciais no controle de pragas de lavouras e agricultura. “Nos Estados Unidos, por exemplo, a formiga lava-pé tornou-se uma praga da qual até mesmo o gado não se alimenta por se sentir incomodado ao ingerir pasto com as formigas. Lá não existe mais predador natural para as formigas”, revela o biólogo Vinicius Andrade Lopes, coordenador do Cras.

 

 A praga então deve ser combatida com inseticidas, o que conseqüentemente prejudica a sanidade do animal que se alimenta do capim e até mesmo a saúde do homem, que se alimenta da carne bovina. Triste saber que somente a partir daí o homem comece a se conscientizar da importância da conservação da fauna silvestre, quando ele próprio sente na pele os males do desenvolvimento.

 

 Cuidados

 

 O mínimo que se pode fazer, então, é redobrar a atenção ao conduzir veículos e respeitar os limites de velocidade em áreas urbanas e rodovias: “Durante a estiagem, os animais silvestres tendem a se locomover mais, em busca de água. Infelizmente, nessa busca, muitos animais são atropelados nas rodovias, ou podem invadir áreas urbanas”, afirma Vinicius.

 

 No caso de aparições de animais silvestres em áreas urbanas ou de acidentes com eles, as pessoas devem comunicar imediatamente a Polícia Militar Ambiental (PMA) pelo telefone (67) 3314-6024 ou o Corpo de Bombeiros, pelo fone 193.

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Comentários
andre, em 05/03/2010 - 17h17

ana lembra de araçatuba??? qdo vc trabalhou com a criaçao de ovinos?? entao vc trabalhou com o mario, thales, pedro, a d rosa, sou neto dela por favor mande contatos p gente.. um grande abraço parabens pelo seu trabalho

 
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