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O Estado do Pantanal - 17/09/2008 - 11h50

Bombeiros e Ibama definem estratégias de combate a incêndio florestal




Edemir Rodrigues

Por Fabio Pellegrini, do Notícias MS

         O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul realizou reunião na manhã de hoje (17), no Comando Geral, com o Ibama para definir as estratégias de combate ao incêndio florestal na região da Serra do Amolar, na divisa de Mato Grosso do Sul com Mato Grosso e Bolívia. A equipe já conta com um avião, com capacidade para carregar 2.500 litros de água para despejar sobre as chamas e realizar cerca de cinco pousos por hora. 

 O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, Ibama, Instituto Chico Mendes (ICMBio), Marinha e até mesmo a iniciativa privada estão empenhadas de forma conjunta no combate ao fogo. O incêndio teve início no fim de semana passado no cume da serra, causado por raios de uma tempestade sem chuva e se alastrou, consumindo aproximadamente dez mil hectares de um total de 30 mil hectares da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Acurizal, administrada pela Fundação Ecotrópica.

 

 A área afetada fica no entorno do Parque Nacional do Pantanal, unidade de conservação de âmbito federal, região de forte apelo paisagístico e uma das mais belas do Pantanal, formada por vegetação típica de cerrado. Trata-se de área de reserva natural, que abriga a biodiversidade pantaneira, sendo que muitas espécies da fauna encontram-se em risco de extinção, porém o fogo e os fortes ventos do mês de setembro estão alastrando as chamas.

 

 O comandante-geral dos Bombeiros de Mato Grosso do Sul, coronel Ociel Ortiz Elias, disse que no início do incêndio, no fim de semana passado, a brigada de combate ao fogo do parque nacional iniciou os trabalhos e solicitou apoio. No domingo foram deslocados bombeiros de Corumbá para apoiar a brigada do Parque Nacional do Pantanal.

 

 Segundo ele, na segunda-feira a situação ficou mais crítica, ocasião em que uma equipe de quatro especialistas do Centro de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros se deslocou de avião para fazer uma análise detalhada da situação. Tal observação resultou num relatório apresentado ao comandante e ao Ibama.

 

 O documento revela que há muitas dificuldades no combate ao incêndio, por ser área de morraria, com vegetação densa e difícil acesso. Foi definido que o melhor apoio de transporte deve ser feito por helicópteros, veículo com mais mobilidade de transporte dos brigadistas.

 

 A equipe de combate ao fogo montou uma base na fazenda Acurizal, onde há uma pousada, cuja infra-estrutura está sendo disponibilizada aos combatentes. A Marinha do Brasil já cedeu um helicóptero para ajudar no transporte e deverá ceder uma embarcação com combustível para as aeronaves, para que as aeronaves não tenham que se deslocar até as cidades para reabastecimento.

 

 O Ibama está pleiteando à sede, em Brasília, mais um helicóptero e pessoal. De acordo com o relatório, o risco de o fogo alcançar o parque nacional é pequeno, uma vez que houve mudanças na direção do vento, porém está indo em direção a uma grande área natural da Bolívia.

 

 “Antes, porém, há uma área de pastagem, que é onde vamos combater o fogo com o avião e a equipe terrestre. Sobre os morros, a água que o avião despeja não consegue alcançar o solo, devido ao calor. Já na área plana, de pastagem, o avião pode voar mais baixo e soltar a água, ocasião em que a equipe terrestre utiliza os abafadores. Os esforços são muitos, mas o trabalho de união no combate ao incêndio é intenso”, revela o coronel Ociel.

 

 Um fator natural que deve favorecer o trabalho dos homens é uma possível chuva na região, que está prevista para o próximo sábado, mas que não deve ser forte. “Que seja suficiente para ajudar nossa equipe a acabar com o fogo”, finaliza ele.

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