O deputado Fernando Ferro (PT-PE), em pronunciamento na tribuna da Câmara, criticou o comportamento de parte da mídia brasileira, por criticar recorrentemente o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em razão de incidentes no relacionamento com a mídia, e ao mesmo tempo preservar o primeiro- ministro da Itália, Silvio Berlusconi.
O escritor português José Saramago, que há pouco tempo criticou Berlusconi, foi proibido por este de publicar um livro na editora sob seu controle. “Quero fazer um apelo a esses bastiões da liberdade de imprensa para que atentem para o fato ocorrido na Itália. Não vejo nenhuma manifestação da mídia brasileira em defesa da liberdade de expressão”, comentou Ferro.
Na análise do parlamentar petista, na verdade há “uma manifestação de cunho ideológico de uma parte expressiva da mídia brasileira, que faz política sim e distingue, clara e seletivamente, os erros que alguns setores progressistas, populares ou de esquerda cometem. Parte da mídia brasileira que reclama do incidente da Venezuela não comenta o que fez o neoduce, o fanfarrão Silvio Berlusconi”.
Ferro referiu-se a fato ocorrido na Venezuela há três dias, quando militantes chavistas atacaram a sede da Globovisión com bombas de gás lacrimogêneo. Uma militante chavista entregou se à Justiça. O próprio Chávez , em cadeia de rádio e televisão, condenou a ação e disse que a militante será punida com base na lei.
Ferro observou que as desculpas apresentadas por Hugo Chávez praticamente não foram registradas pela mídia brasileira. “Peço (à mídia), portanto, que se comporte pelo menos com uma atitude justa”,disse.
Para ele, a censura a Saramago “não é admissível em um país como a Itália, que tem uma civilização, uma sociedade que viveu e vive momentos importantes, contribuindo para a cultura européia, mas que, no entanto, segue por um processo que considero, no mínimo, completamente estranho para o nosso século, para a vida política e para as melhores tradições da vida política italiana”
De acordo com Ferro, a atitude do primeiro ministro da Itália é “ completamente estapafúrdia para uma pessoa que detém o comando político de uma nação e de uma civilização tão importante. A Itália, que tanto contribuiu para ciência, para a filosofia, para as artes, tem como presidente uma figura que, no século XXI, se comporta igual a Mussolini”.